Quinta-feira, Novembro 29, 2007

Pra que serve a internet

Pra proliferação inveterada de pornografia, claro, mas também para outras cousas. O Walter, blogueiro-chefe da Nova Corja, por exemplo, ao prever uma cruzada contra a Brasil Telecom para cancelar serviços telefônicos nunca requisitados, decidiu fotografar, gravar, filmar e publicar a peleia toda. O resultado está genial.

Enquanto uns sabem para que serve a internet, outros não fazem idéia. A Tati, por exemplo, funcionária da Brasil Telecom, não se deu conta de que o Orkut é público. Lá estão o telefone celular dela (que não é da BRT, diga-se) e a comunidade "Odeio cliente chato da BRT". Mas não fiquem de cara com os gostos da menina, ela não parece ter muito critério. Além de odiar os clientes da empresa, as comunidades afirmam que ela ama a mãe dela, o pai dela, pagode e a Xuxa. Ah, e dormir de conchinha.

Já que estamos falando disso, minha experiência de um mês com telefone fixo dessa empresa mostrou que ela é um lixo completo. Recém instalado, e sem ter divulgado o telefone para ninguém, fui incomodado TODOS os dias com vendas por tele-marketing, quase sempre pela manhã. Por alguns dias atendi a porcaria do telefone bêbado de sono, depois passei a nem me dar o trabalho.

Ou seja, o mailing deles é descaradamente vendido para quem quiser comprar. É ilegal, mas difícil de provar. A gota d'água foram duas tentativas de falso seqüestro, ameaçando matar o Caue (que chorava do outro lado da linha em um das vezes) se eu não fizesse isso ou aquilo. Temendo pela própria vida, resolvi encerrar a linha enquanto havia tempo.

Nenhuma dessas justificativas foram suficientemente convincentes para que o atendimento da empresa me deixasse cancelar meu telefone (e abençoado seja deus por ter me iluminado na hora de não aceitar um plano anual de fidelidade). Para conseguir cancelar, disse que estava de mudança para a Namíbia (tive que soletrar o país ao atendente). Alguns dias depois, ainda recusei a proposta de só receber ligações naquele aparelho gratuitamente durante um ano. Na Namíbia, o serviço não estaria sendo necessário, justifiquei.

[por Caue] [5:05 PM]


Terça-feira, Novembro 27, 2007

Situações síntese

Quanto mais fuçam nessa história da menina presa com homens, no Pará, pior ela fica. A última revelação é a de que não apenas a polícia inteira e uma juíza sabiam do ocorrido, mas sim toda a vizinhança. As celas eram vazadas para quem quisesse olhar e, segundo vizinhos, era possível ver os presos "se servindo" da menina antes de se servirem de comida. Como era obrigada a fazer sexo em troca das refeições, a menina pedia desesperadamente comida a quem passava na rua. Mundo cão é apelido.

Me parece que poucos países são tão competentes em produzir nos noticiários situações síntese de sua falência total quanto o Brasil. O caso João Hélio, por exemplo, era a perfeita síntese da banalização do crime, do desrespeito à vida, da necessidade do endurecimento de penas a menores por crimes hediondos. O caso dos adolescentes que espancaram uma doméstica com a justificativa de que achavam que ela era uma prostituta é outra pérola podre da nossa brasilidade.

Mas no caso do Pará, falta uma questão a ser abordada. Além de símbolo da falência do sistema carcerário e do desrespeito a todo e qualquer amparo legal à mulher e ao adolescente, se trata de um exemplo claro de caso em que servidores públicos precisam ser demitidos.

Banal, não? Pois isso não vai acontecer. Apesar de ter ficado suficientemente claro que a delegada Flávia Verônica Pereira e que a juíza Clarice Maria de Andrade são a síntese de tudo o que se pode fazer de errado em suas profissões, elas não serão exoneradas. Elas e seus comandados - policiais que, além de coniventes com a prisão, escalpelaram a menina e a largaram no porto com a orientação de que sumisse - continuarão servindo ao estado do Pará protegidos pela estabilidade concedida por lei a seus empregos. Na melhor das hipóteses eles serão afastados de suas profissões, poupando a sociedade das suas atuações, mas não de seus salários.

Será que nem por violação aos direitos humanos um servidor público pode ser demitido? Demiti-las não seria pena suficiente para essas pessoas, mas tenho convicção de que se elas soubessem que a gracinha que fizeram com a menina acarretasse imediata demissão e perda de qualquer benefício adquirido ao longo da carreira, o caso não teria acontecido.

[por Caue] [3:51 PM]



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